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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É normal sentirmo-nos angustiados no regresso ao trabalho?

Participação da Drª. Madalena Lobo na "Companhia das Manhãs"

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

“Voltar a enjaular os bichinhos”


Autora: Ana Magalhães


Depois do Sol, da praia e dos corpos livres de roupa apertada e sapatos incómodos, eis que de um dia para outro as nossas crianças são sentadas dentro do carro e trazidas de volta ao mundo real, às suas casas e às suas rotinas, onde as regras e os limites voltam a ser palavra de ordem.

Os pais, que normalmente já têm dificuldade durante o ano em impor limites, nesta época vêem-se a braços com a ingrata tarefa de “pôr em ordem” os comportamentos dos seus “bichinhos”.
Mas será que o regresso à normalidade tem que ser obrigatoriamente negativo para as nossas crianças? Ou será que lhes espelhamos o que nos vai na alma e é a nós, pais, que nos custa ainda mais este “enjaular” da família?

Aceitar cada momento como único e especial seja ele qual for, nem sempre é fácil.
O regresso ao nosso casulo pode ser visto como o aprisionamento das crianças entre quatro paredes, mas também pode ser encarado com alegria.
Regressar a casa, ao quarto, aos brinquedos, aos familiares e amigos poderá ser uma experiência gratificante para as crianças se estas aprenderem que cada página que se vira, cada porta que se fecha, deixa-nos antever novos desafios e um continuar.

Regressar à rotina é também regressar ao aconchego do lar, aos bolinhos e cozinhados caseiros, aos desenhos animados preferidos, às idas ao parque com os amigos, ao reencontro com colegas e professores, aos jantares de família, às histórias dentro do cobertor quentinho e a muitas, muitas outras coisas boas que constituem a dia-a-dia de uma família.

Para que não seja muito difícil o reajustar dos horários selváticos do Verão, procure reorganizar suavemente os sonos e as refeições das crianças, sem pressa e sem ansiedade.

Procure organizar serões em família e use as fotografias e filmagens das férias para em conjunto recordar o Verão como um momento único de plena comunhão e cumplicidade com os seus filhos, e a partir desse momento desenhar estratégias para que essa cumplicidade se estenda ao resto do ano.

Esta é uma altura que nos permite reflectir sobre quais são as nossas verdadeiras prioridades!
Vamo-nos permitir dar espaço para desfrutar dos nossos filhos durante o ano.
Vamos ouvi-los! Brincar e rir com eles! Marcar momentos especiais na nossa agenda diária.
Afinal Eles são o nosso principal projecto de vida.

Dicas:

  • Organize as suas prioridades.
  • Faça listas de compras, menus e tarefas a cumprir, de modo a optimizar o seu tempo.
  • Responsabilize toda a família na gestão da casa, através da atribuição de funções a cada membro.
  • Inclua os seus filhos na elaboração dos planos, sempre que seja possível. Assim será mais fácil ter tempos de qualidade para estar em família. Lembre-se que o que mais nos custa deixar das férias é o tempo sem regras, o tempo para dar e para receber, sem pressas e sem restrições.

sábado, 11 de julho de 2009

Famílias em férias...


Andamos no stress da vida, corre-corre do trabalho, lufa-lufa da casa e filhos e compras, corpo aqui no rame-rame do que tem de ser feito, cabeça ali nas preocupações do ontem e do amanhã, coração a turbo para acabar o dia antes de o dia ter acabado… E caímos nas férias, subitamente, sem aviso prévio, malas abertas num qualquer sítio, vazia das rotinas que nos asseguravam não termos de estar presentes. E, ao lado, o marido ou mulher, esse desconhecido com quem jantámos apressados durante um ano. E os filhos, diferentes, agora que o eixo de comunicação primário da escola é substituído por dias integrais de relação pura e abrangente.

E nesta re-descoberta da família que acreditávamos tão conhecida, escondem-se problemas típicos do reencontro com realidades que se modificaram, o que origina alguns desafios em plenas férias.

Se a distância, distancia, o que acontece às relações conjugais que se sustêm nos monossílabos de todo um ano feito de trivialidades? Nas férias, com frequência, esses milímetros diários de distanciamento tornam-se aparentes e descobrem-se quilómetros nem sempre fáceis de serem percorridos. E surgem discussões, blocos de gelo no meio do calor da praia, pequenas irritações, uma angústia insidiosa a propósito do futuro e da pertinência da relação.

E os filhos que demonstram hábitos que desconhecíamos, traços de personalidade que nos deixam na dúvida se exigem ser educados ou criar espaço para o seu desenvolvimento: preocupo-me ou congratulo-me pela sua maturação? E nós, que prevíamos um descanso isento de preocupações…

Estes desafios que se intrometem no espaço descuidado das férias são relativamente frequentes e, apesar de exigirem algum trabalho relacional da nossa parte, bom senso e calma, podem representar momentos importantes de crescimento pessoal e da relação. Apenas há que tomar cuidado em não extremar posições, em conter a impulsividade natural (sobretudo para quem ainda está sob o efeito do desgaste de um ano de trabalho), o confronto e a reactividade emocional excessiva.

Algumas sugestões para quando o clima aquecer aí em casa, em plenas férias:


  • Antes de reagir, imponha a si próprio uns minutos de arrefecimento; vá passear um pouco, dar um mergulho ou fazer um lanche. Se não for um tema que exija reacção da sua parte no próprio dia, opte por consultar o travesseiro: existe muita reorganização interna durante o sono e é frequente acordarmos com a resolução de problemas que na véspera nos pareciam insolúveis.

  • Pense que qualquer dificuldade relacional é, de facto, uma excelente oportunidade para descobrir novos pontos de contacto e fazer crescer a relação; puxe pela sua criatividade e competências de resolução de problemas e tente encontrar uma forma de o fazer.

  • Lembre-se que os seus filhos tiveram um ano para se definirem mais enquanto pessoas e têm de ensaiar comportamentos da nova fase de desenvolvimento em que estão até estabilizarem no seu crescimento. Opte por ouvir, antes de reagir; por observar com atenção e perguntar, antes de dizer o que pensa e o que permite; por se estabelecer como um parceiro de confiança, capaz de negociar, do que como alguém que estabelece regras unilaterais.

  • Se as dificuldades se mantiverem, após as férias, considere um acompanhamento especializado (terapia conjugal e familiar), que sirva como mediador neutro e catalizador de mudanças positivas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O lado lunar das férias

Com o Verão vem a luz que nos anima a planear pequenas escapadelas aos tons cinzentos que o nosso dia-a-dia tende a escolher. E as férias com promessas de evasão, de descanso e de despreocupação, como um breve intervalo em tudo aquilo que nos desagrada. O que raramente nos lembramos é que, com o Verão e as férias também surgem algumas complicações e que convém precavermo-nos e, sobretudo, estar prevenidos para lhes podermos reagir.

Uma dessas complicações resume-se na palavra “stress” que nos ajuda a agregar reacções tão diversas como irritabilidade, falta de atenção e concentração, dificuldades de memória, volatilidade de humor ou um tom mais depressivo, uma sensação de alerta permanente, impulsividade de decisões, desmotivação… A lista é elevada e, a inaugurar esta época surge um pico de stress, por três efeitos: o do acumular do cansaço, a reacção do organismo quando nos apercebermos de que há um fim à vista para o esforço sustentado de vários meses e o próprio stress de planificar e decidir férias.

Enquanto que o primeiro dispensa apresentações, já o facto de termos uma quebra de energia só por sabermos as férias próximas é aparentemente paradoxal. Bem, imagine que todo o seu organismo é capaz de conversar: você dir-lhe-ia que já falta pouco para poder descansar; ele responder-lhe-ia: “ufa, então já posso começar a desmobilizar parte da energia que tenho vindo a reunir”. No esforço elevado, estamos sustentados por todo um contexto fisiológico que tem por fim permitir-nos cumprir com os nossos objectivos – quando damos a ordem de desmobilizar (o que acontece, frequentemente, por antecipação, como quando nos começamos a imaginar de férias), subitamente apercebemo-nos de falta de energia e uma dificuldade elevada em percorrer o resto do caminho até às férias.

Decidir, planear e gerir os vários detalhes envolvidos nas férias pode, igualmente, ser uma fonte acrescida de stress, algo mais para fazermos adicionalmente a todas as outras que não são opcionais.

E, com o calor, o corpo reage num esforço de adaptação a um novo ambiente externo, produzindo sintomas físicos que, para quem tenha tendência a uma reactividade ansiosa, podem ser assustadores e fazer desencadear fortes picos de ansiedade. Nalgumas situações, podem mesmo instalar-se perturbações ansiosas que requerem acompanhamento psicológico, como é o caso da perturbação do pânico.

Um outro factor importante nas férias e que pode criar alguma sensação de desequilíbrio são as alterações relacionais no contexto familiar que ocorrem com alguma frequência; ou, melhor dizendo, o facto de se tornar aparente, por força do convívio, as distâncias que se foram cavando ao longo de todo um ano de pressa e de preocupação com as obrigações quotidianas.

E quando as férias estão na fase da despedida, também ocorrem alguns fenómenos específicos. Entre a melancolia de quem sabe que tudo vai ser retomado e muita dessa realidade é desagradável e a vontade de introduzir modificações à forma como se leva a vida, abre-se um espaço de reflexão que, bem aproveitado, pode fazer toda a diferença no que diz respeito ao nosso bem-estar e auto-satisfação.

Após o descanso, surgem um momento privilegiado: as cartas da mudança estão na nossa mão! Queremos mesmo assumir uma nova perspectiva sobre a vida e implementar alterações que nos permitam percorrê-la na direcção que acreditamos ser a mais adequada para nós? Malas desfeitas, no regresso a casa, talvez seja tempo de iniciarmos uma nova viagem, um pouco diferente.
Foto de Luis Rocha dos Reis, Studio4u