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domingo, 9 de agosto de 2009

Sabia que a Depressão tem um risco de mortalidade semelhante ao do Tabagismo?


A depressão pode aumentar a mortalidade, tanto quanto fumar, de acordo com o novo estudo publicado em Agosto pelo British Journal of Psychiatry.

Especialistas do King's College London associaram-se a colegas noruegueses
para investigar se a depressão e a ansiedade estão associados com aumento da mortalidade.

Um estudo de grandes dimensões envolvendo 61 349 pessoas foi levado a cabo na Noruega.
O estudo mostrou que a depressão está associada a um aumento da mortalidade. Ainda, o risco é semelhante aquele atribuível ao factor "tabagismo"(depressão: ratio hazard (HR) = 1,52, IC 95% 1,35-1,72-v-fumantes: hazard ratio = 1,59, IC 95% 1,44-1,75).

Escrevendo no British Journal of Psychiatry, o principal investigador, Dr. Arnstein Mykletun disse: "Para ilustrar a força da associação entre depressão e mortalidade, foi comparada com o efeito do tabagismo atual - aceitou-se como fator de risco para a mortalidade e uma meta para importantes iniciativas de saúde pública."

"As probalidades para mortalidade associadas ao tabagismo e depressão foram comparáveis. Isto ilustra a importância potencial da depressão como um factor de risco para mortalidade - no entanto, as razões para isso exigem uma análise mais aprofundada."

Os investigadores não encontraram nenhuma associação entre a ansiedade e a mortalidade. No entanto, quando estudaram pacientes que tiveram ambas ansiedade e depressão encontraram menor mortalidade, com a maior redução naqueles que apresentaram sintomas de ansiedade moderada e o maior mortalidade em pacientes com menor ansiedade.

Dr. Mykeltun e colegas consideraram este achado como "contra-intuitivo", porque com ambas formas de ansiedade e depressão está associada pior saúde física e maior dificuldade, do que na depressão isolada.

Os investigadores sugerem que as pessoas que experimentam ansiedade podem ser mais propensas a pedir ajuda quando se sentem mal, sendo mais provável que sigam algum tratamento devido aos sintomas, e será menos provável que se envolvam em comportamento de risco que poderiam colocá-los em perigo de morte acidental. "Por outras palavras, pode haver uma vantagem evolutiva nos níveis moderados de ansiedade, uma hipótese que exige uma avaliação mais aprofundada", disseram.

SUGESTÃO:
Na Oficina de Psicologia existem recursos que o ajudam a enfrentar os desafios do Tabagismo, da depressão e ansiedade.

Para Tabagismo vá a http://oficinadepsicologia.com/respirando.pdf


Para depressão e ansiedade vá a http://oficinadepsicologia.com/experimentev02.pdf

Para saber mais:
Mykletun A, Bjerkeset O, Øverland S, et al . Levels of anxiety and depression as predictors of mortality: the HUNT study. Br J Psychiatry 2009 Aug;195:118-125 [ Abstract ]

sábado, 11 de julho de 2009

Quando o corpo é o inimigo


A ansiedade é uma reacção intensamente corporal e que foi “desenhada” para ser desagradável ao ponto de nos chamar a atenção, porque tem por função alertar-nos para potenciais perigos. Assim, muita da reacção ansiosa é sentida ao nível do corpo: aceleração cardíaca, tensão muscular, digestões difíceis, alterações da temperatura corporal, hiperventilação, com as suas consequências de sensação de sufoco, dor no peito e tontura… tudo sintomas físicos comuns de quem está ansioso.

No Verão, devido ao calor, o corpo adapta-se às novas condições externas e reage, igualmente, com alguns destes sintomas, muito particularmente a sensação de dificuldade em respirar, e digestões que, pelo menos, nos parecem ser mais lentas, bem como algumas dificuldades de sono que nos deixam combalidos durante o dia.

No Verão, quem tenha predisposição para problemas ansiosos (o que acontece às pessoas com um limiar mais baixo para reconhecerem a sintomatologia física e com uma menor tolerância a esses sinais do organismo), passa por alguns maus momentos. O corpo dá sinais de ajuste à nova temperatura e uma pessoa com maior predisposição para a ansiedade sente com maior intensidade esses sinais e preocupa-se a um ponto de ficar ansioso o que, por sua vez, gera sinais muito parecidos. Desta forma, a sintomatologia física intensifica-se e a pessoa sente que existe, de facto, motivo de preocupação, sendo frequente pensar que existe algum problema médico grave e que requeira atenção urgente.

Nos casos extremos do que acabámos de falar, nomeadamente quando surgem picos de ansiedade muito elevados, a um ponto de a pessoa ter uma sensação de morte ou descontrolo eminente, e quando se instala um ciclo de preocupação a propósito de poder voltar a sentir a mesma coisa, define-se como perturbação do pânico.

Trata-se de uma das perturbações da ansiedade mais frequentes e muito penalizadoras da qualidade de vida porque origina muito sofrimento, a que parece ser impossível de escapar, porque o inimigo é o corpo, com os seus sinais de alarme. Felizmente, existem metodologias de tratamento muito eficazes em psicologia para esta situação.


  • Algumas sugestões, no caso de se dar mal com o calor e já se ter apercebido de que fica ansioso(a) com as suas reacções corporais:

  • Em primeiro lugar, proteja-se do calor excessivo, ficando dentro de casa à hora de maiores temperaturas e economize-se no esforço físico

  • Aligeire as refeições, muito em particular o almoço, diminuindo as doses (e compensando com uma maior frequência) e evitando comidas indigestas e pesadas
  • Mantenha-se hidratado e longe do sol forte

  • Aprenda um exercício de respiração abdominal que lhe permita restabelecer rapidamente um ritmo correcto de respiração e, assim, evitar a sensação de sufoco que caracteriza a hiperventilação, que surge como um dos primeiros sinais de ansiedade

  • Faça exercício físico nas alturas em que o tempo está mais fresco (de preferência, de manhã cedo)

  • Mantenha o quarto de dormir tão fresco quanto possível, para que o corpo possa arrefecer à noite, ajudando a um sono repousado

  • Quando sentir o corpo a dar sinais de desconforto, lembre-se que ficar ansioso apenas vai piorar esse desconforto

  • Finalmente, nunca é demais lembrar: se tiver motivos para pensar que possa ter um problema físico, não hesite em fazer uma avaliação médica!

  • E, se suspeitar que possa sofrer de perturbação do pânico ou de outro problema de ansiedade, tenha presente que é uma situação que se trata com elevados níveis de eficácia em psicoterapia.