domingo, 29 de agosto de 2010

A Oficina de Psicologia está presente no Greenfest

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Faça Parte!

A Oficina de Psicologia foi privilegiada com um espaço de honra no GreenFest - um evento dedicado à sustentabilidade ambiental, económica e social, que vai ter a sua 3ª edição portuguesa, entre os dias 10 e 17 de Setembro.

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A nossa participação enquadra-se de 2 formas diferentes:
  • Como empresa que promove a sustentabilidade social e surge como um exemplo de gestão de elevada sustentabilidade económica

  • Assumindo a psicoterapia que pratica como uma proposta de ecologia interna que promove o bem-estar emocional em pleno respeito pela natureza bio-psico-social do ser humano.
Vamos estar presentes com 3 workshops gratuitos, e que requerem inscrição junto da organização do evento - não perca! Consulte os detalhes abaixo. Ao longo de todos os dias estaremos, também, a dinamizar um espaço dedicado à saúde mental: rastreio às perturbações da ansiedade e do humor, informação sobre saúde mental, actividades de regulação de stress e produtos que visam a aprendizagem do relaxamento.

Gostaríamos de o(a) ver e conversar consigo! Venha conhecer-nos!


Workshop de relaxamento e bem-estar

logo2 O stress é um dos principais factores a ter em causa quando falamos em saúde nos tempos modernos. É um daqueles inevitáveis da vida: em maior ou menor grau, todos sofremos dele. E se, em pequenas doses controladas pode ser um motor no nosso dia-a-dia, em doses excessivas provoca sérios problemas… Problemas cardíacos, gastro-intestinais, dores no corpo, falta de sono e apetite, ansiedade e depressão são apenas algumas das dificuldades que consistentemente aparecem associadas ao stress. E o mais preocupante é que só nos damos conta quando já estamos afectados! Aquilo que sabemos é que o melhor antídoto que temos contra o stress é o relaxamento. Se é no corpo que sentimos o efeito do stress, é a partir do corpo que também podemos combatê-lo. Neste workshop vamos desenvolver 2 técnicas que nos permitem de forma simples e rápida obter um estado de relaxamento que, utilizadas de forma regular, nos permitem desenvolver uma higiene mental suficientemente eficaz na manutenção do stress em níveis aceitáveis. E o primeiro ambiente que precisamos de equilibrar… é o interno! 


Brincar à auto-estima

img_Home_DrtWorkshop interactivo para pais e filhos

Ao longo de uma hora, venha brincar com os seus filhos, aprendendo a elevar-lhes a auto-estima e leve para casa noções práticas e simples para que, diariamente, toda a família se possa re-encontrar na partilha dos momentos que nos permitem a auto-confiança necessária a uma vida plena e livre de constrangimentos redutores do nosso potencial.


Workshop "A ecologia interna das emoções"

Recycled_heart  O nosso mundo interior é feito das cores com que pintamos por dentro as imagens que captamos do exterior. A realidade em que vivemos é, necessariamente, o resultado das emoções com que a filtramos, na mesma medida em que estas são influenciadas pelo que nos rodeia. No nosso dia-a-dia, o ritmo louco a que nos movemos raramente nos proporciona oportunidades para nos apercebermos da forma como nos estamos, de facto, a sentir. Damo-nos conta que estamos tristes porque, sem perceber muito bem porquê, desatamos a chorar. Apercebemo-nos que estamos zangados porque gritamos ou damos uma resposta ríspida a alguém que não o merece. Quando não temos a oportunidade de tomar consciência da forma como nos sentimos, perdemos a oportunidade de adaptar o nosso comportamento e circunstâncias de uma forma que esteja mais em linha com os nossos objectivos, e perdemos a eficácia na forma como nos relacionamos com o ambiente que nos rodeia. Neste workshop, vamos trabalhar a forma como nos damos consciência dos nossos estados emocionais, e do comportamento que estes originam. Porque o excesso, ou o defeito, de emoções dentro de nós são as primeiras instâncias de poluição a que nos sujeitamos no dia-a-dia.



Contribua com consciência social!

logo_96A grande maioria dos elementos da equipa da Oficina de Psicologia uniu-se para criar o projecto HAP Portugal (Humanitarian Assistance Programs), uma associação não lucrativa que visa apoiar as populações traumatizadas ou em risco de trauma, com recurso à técnica que recolhe uma das maiores eficácias no tratamento da sintomatologia traumática - EMDR.

Sendo uma associação não lucrativa, depende do voluntariado e dos donativos, para poder fazer chegar às populações carenciadas um tratamento eficaz. Ao formarmos um psicólogo em EMDR conseguimos tratar gratuitamente 25 pessoas afectadas com sintomatologia psico-traumatológica e deixamos um profissional de saúde preparado para a intervenção futura junto de quem necessite.

Sendo Portugal um país de elevada sinistralidade na estrada, a Associação HAP vai estar dedicada, em 2011, ao tratamento gratuito de vítimas de acidentes de viação. Para isso, precisamos de reunir o capital suficiente para formar psicólogos em EMDR. Junte o seu ao nosso contributo e faça um donativo - qualquer importância é importante!

Como orientação, podemos dizer-lhe que, por cada 40€ reunidos, conseguimos tratar uma pessoa. Por cada 40€, alguém poderá voltar a dormir tranquilamente, passará a ter reacções emocionais adequadas, sem as crises de angústia, revolta e desespero habituais nas vítimas de trauma, voltará a viver a sua vida livre do terror e tensão emocional que lhe impõem fronteiras restritivas. O seu donativo pode fazer a diferença numa vida inteira - partilhe connosco, psicólogos, esta imensa satisfação pessoal!

Seja bem-vindo ao NIB da HAP Portugal: 0018 0003 22977243020 42 (Banco Santander). O nosso muito obrigado em nome de todos os que vai ajudar!


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Oficina de Psicologia
Av. Paris, nº 4, 5º
Lisboa, 1000-228 Lisboa


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Mito do Corpo Perfeito


Autora: Catarina Mexia

O Verão é uma altura propícia para o aparecimento de preocupações com a imagem corporal, excessos de peso e pequenas gordurinhas que estão fora do sítio. Somos educados para cultivarmos uma apresentação agradável, mas particularmente as mulheres consideram ter necessidade de uma determinada forma para serem consideradas atraentes. E não é difícil encontrar razões por que muitas delas consideram que uma boa aparência passa por ter um corpo bem delineado, magro e com as medidas certas. Na verdade, todos somos diariamente confrontados com formas corporais que a maior parte de nós não possui, mas senti-mos necessárias para assegurar uma relação amorosa ou íntima bem sucedida.
Muitas mulheres estão mesmo convencidas de que não conseguem encontrar o seu "príncipe encantado" se não forem louras, tiverem pernas longas e bem torneadas, um peito generoso e uma pele fabulosa. Também os homens sentem este peso, acreditando que chamam a atenção do sexo oposto mais facilmente se tiverem um corpo bem trabalhado, um cabelo magnífico e uma pele perfeita. A realidade, porém, não é necessariamente esta.

Padrões de beleza. Cada cultura tem padrões de beleza que mudam com os tempos. Os padrões de beleza que conhecemos e pretendemos atingir, e que estão na sua maioria presentes nas revistas, são a excepção — e por isso são escolhidos para as revistas. No entanto, muitas pessoas parecem esquecer esta realidade.

Alguns estudos demonstram que enquanto as preferências expressas por um grupo de homens que indicavam gostarem de mulheres com uma figura bem equilibrada, muitas mulheres achavam que esses mesmos homens prefeririam mulheres mais magras. Um outro estudo mostrou que o tamanho do peito, que as mulheres consideram ter que ser grande, não correspondia à preferência dos homens que preferiam um peito bem dimensionado e firme, independentemente do tamanho. Outro ainda veio mostrar que a maioria dos homens inquiridos valorizava mais a atracção do olhar e dos olhos da mulher do que as outras partes do corpo, como as ancas, o peito ou as pernas.
Algo que parece um pouco contraditório prende-se com o facto de as mulheres continuarem a considerar fundamental a sua aparência, em detrimento de qualidades como a beleza interior ou força de carácter. Mas na realidade o que desperta a atenção entre um homem e uma mulher?

Regras da atracção.
A atracção entre homens e mulheres parece tratar-se de um fenómeno químico baseado nas secreções corporais conhecidas por fenormonas. Os cientistas sabem que os animais utilizam as fenormonas para cortejarem o sexo oposto, mas ainda não conseguiram determinar a sua real importância nos humanos, apesar de considerarem que parece funcionar da mesma forma e com objectivos semelhantes aos do reino animal. A considerarmos hipótese, coloca- se outra questão: será a atracção também o produto de um processo mental baseado na análise e escolha racionais das características corporais do companheiro, ou será o resultado de uma programação primária com milhões de anos? Na verdade, o ideal de beleza varia de cultura para cultura e tem sofrido um longo processo evolutivo. E o nosso conceito de beleza, o da sociedade ocidental, deve muito à cultura grega, a primeira a divulgar a ideia de que um corpo bonito tinha que ser alto e bem torneado. As proporções das suas estátuas marcaram toda a arte, desde a Idade Média até aos dias de hoje, em que os modelos são escolhidos para estarem presentes nas revistas continuam a obedecer a estes padrões. Mesmo assim, muitos dos modelos são ainda mais magros, uma tendência que parece ter-se desenvolvido na segunda metade do século XX.
Outro aspecto desta realidade parece estar relacionado com os media, onde encontramos mais facilmente a última dieta da artista X ou Y do que artigos acerca da forma como alguém conseguiu tornar-se uma mulher de negócios ou uma profissional bem sucedida.

Ponto de equilíbrio. A solução para quem se vê envolvido neste dilema passa por encontrar um ponto de equilíbrio. Se por um lado a pressão do exterior não pode ser ignorada, por outro sabemos no nosso íntimo que a beleza interior é um dos elementos fundamentais para que qualquer relação prospere. Apesar de a beleza exterior ajudar a que o romance dure e ambos os elementos do casal se sintam menos vulneráveis às diferenças entre eles e os modelos exteriores, nem a mulher nem o homem devem ser escravos dessa realidade ou terem necessidade de fazerem comparações. O melhor compromisso é não procurar soluções milagrosas ou fáceis, nem tentar ir para além daquilo que o nosso corpo, bem-estar pessoal e qualidade de vida permitem.

A elegância física deve ser resultado de uma alimentação saudável e equilibrada.
Somos o produto dos nossos genes e (ainda!) não podemos alterar a compleição de base. Se a aparência física é determinante para o nosso bem-estar talvez seja preciso avaliarmos o nosso nível de auto-estima.

Os modelos exteriores são apenas referências. Todos podemos sonhar, mas se o sonho substitui a realidade sobra-nos apenas a insatisfação constante.

Costumamos dizer que os gordos são mais felizes. Gordura em excesso não é bom, mas a felicidade é muito saudável e estarmos a retraírmo-nos constantemente não faz ninguém feliz.

O exercício físico tem um duplo mérito: ajuda-nos a encontrar uma forma saudável e produz endorfinas que contribuem para o nosso bem-estar.

sábado, 29 de maio de 2010

Como a família de origem está presente no nosso casamento


Autora: Catarina Mexia

Quando casamos e temos filhos, os nossos pais continuam a influenciar-nos. Os pais influenciam os filhos e mães as filhas. Quer tenhamos consciência disso ou não o exemplo que provém dos nossos pais influencia-nos profundamente na forma como tratamos os nossos companheiros e educamos os nossos filhos.

São muitos os exemplos que cada um de nós poderia evocar mas recordo aqui o de Jorge. No final de um dia de trabalho, este cliente gostava de chegar a casa sentar-se no sofá, ler o seu jornal, ver a televisão. Contudo o jantar precisava de ser preparado, os filhos precisavam da ajuda do fim de dia, a casa precisava de um jeito. Teresa, a mulher também trabalha fora e queixava-se que a sua profissão é tão cansativa quanto a do Jorge.

As queixas da Teresa prendiam-se com o desejo de ver o Jorge participar na vida familiar.

O Jorge é uma pessoa com um sentido de justiça ajustado que considera este pedido da Teresa perfeitamente razoável. Contudo, uma outra parte dele como que lhe recordava constantemente que este não era o papel do homem.

Para o Jorge, cuidar da casa é trabalho de mulher. Muitas vezes era assaltado pela ideia “Mas quem ela pensa que é para mandar em mim?” Para este cliente assentir nos pedidos da mulher era humilhar-se e sentir-se menos homem. Contudo, e porque gostava profundamente da mulher, percebia-se num intenso conflito.

Se por um lado fazia o que lhe era pedido, também o fazia de má vontade o que criava uma atmosfera muito desagradável em casa, um dia após o outro.

Mas realmente onde estava o conflito? De uma forma imediata, o conflito parece estar no casal. Contudo se olharmos com mais atenção o conflito real situa-se entre o Jorge e o seu pai, mais propriamente a personalidade do Jorge e os valores adquiridos do seu pai relativamente ao papel do homem num casal.

O Sr. Manuel, pai do Jorge, foi descrito como autoritário, um “homem á antiga”, para quem “as mulheres são para estar na cozinha”, que o filho aprendeu a temer, mais do que a respeitar. Para o Sr. Manuel o valor do trabalho do homem e da mulher eram duas coisas completamente distintas. O papel do homem era garantir o ganha-pão da família, coisa que ele soube fazer com muito empenho e dedicação, coisa de que o Jorge falava com muita admiração.

O Jorge é o único rapaz de uma frateria de seis em que os outros filhos são raparigas. Ele é o 5º. Como é fácil de perceber não só foi muito protegido pelas irmãs como foi acolhido pelo pai como o seu “protegido” a quem foi passado um testemunho familiar especial, como dizia o meu cliente “coisas de homens”. Estas não incluíam o cuidar da casa ou dos filhos.

Quando o Jorge concordava com a Teresa e a ajudava com as coisas da casa e dos miúdos, sentia-se culpado, traidor de uma tradição familiar, que estava a ser desleal ao seu pai.

Durante o trabalho terapêutico foi possível compreender de onde vinham estes sentimentos e estas ideias. A certa altura ficou claro que as aprendizagens internalizadas durante o seu crescimento o levaram a este conflito interno, expresso pelo conflito com a Teresa. Na realidade o Jorge rapidamente percebeu que o seu conflito decorria do sentimento de estar a trair os valores do pai, que ele próprio já não conseguia assumir como seus.

Resolver este tipo de situação não é fácil, exige tempo e a capacidade do casal perceber as heranças transgeracionais. Contudo, para a Teresa e para o Jorge, foi muito importante compreender a raiz do conflito.

Este é apenas um exemplo dos muitos que podia trazer aqui para ilustrar a profunda influencia que os nossos pais têm nas nossas atitudes tanto como cônjuges como pais. O casamento dos nossos pais influencia o nosso. A forma como fomos educados influencia a forma como educaremos os nossos filhos.

Nem sempre se trata de um legado positivo, e enquanto não tivermos consciência da sua existência manter-se-á fora do nosso controlo. Enquanto não o compreendermos, estamos condenados a repetir cegamente o comportamento dos nossos pais a rejeitá-lo totalmente. Contudo, podemos deliberadamente considerar os diversos aspectos e dimensões dos papeis de esposa/o e mãe/pai que vimos desempenhar, seleccionando conscientemente aqueles que a nós melhor se adaptem. A compreensão dá-nos alternativas onde antes não existiam.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PREPARE A SUA MENTE PARA O VERÃO PROGRAMA EXPERIMENTE - LISBOA - INICIO 28 MAIO ÀS 19H00



Autor: Pedro Albuquerque

Todos sabemos por experiência pessoal que a entrada da Primavera e do Verão trás um colorido emocional e de disposição diferente do período invernal. Os dias ficam mais luminosos, os aromas intensificam-se, tornam-se florais, suaves. A temperatura fica amena, e as roupas mais leves. Apetece-nos passear, desfrutar do sol.
Contudo, temos consciência que muitas vezes carregamos o stress, a ansiedade e as dificuldades relacionais para esses momentos que se aproximam, o que nos leva a não viver o que realmente se está a passar no decurso da vida, momento a momento.


"O Mindfulness tem sido descrito como uma consciência intencional focalizada " uma maneira de prestar atenção sem julgamento e com sentido no momento presente. (Jon Kabbat Zinn)

Logo à partida, parece que falamos de uma capacidade muito simples e nada aplicável à vida dia-a-dia. Mas rapidamente percebemos que quando tentamos focar a nossa mente em alguma coisa, a nossa mente começa logo a controlar-nos, o que nos leva muitas vezes a viver no passado ou no futuro. Os pensamentos surgem sem controlo, e saltam de uns para outros.

Com Mindfulness, passamos a ter uma maior consciência do momento presente, uma maior estabilidade mental e a desenvolver a capacidade de responder de forma adequada, criativa e com abertura às oportunidades que nos surgem. Isto é muito valioso para a vida emocional, relacional e laboral.

Podemos aprender a controlar a nossa mente, em vez de sermos controlados por ela.

A Oficina de Psicologia em Lisboa é pioneira em implementar e promover o Mindfulness nos serviços de saúde e nas organizações.

De entre os maiores benefícios do Mindfulness encontra-se:
·         Maior capacidade de gerir o stress
·         Comunicação mais clara e mais eficaz
·         Melhoria da capacidade para resolver conflitos
·         Melhor relacionamento interpessoal
·         Aumento da criatividade
·         Maior estabilidade durante períodos de mudança

Pelo facto de nos centrarmos no momento presente, podemos:
·         Parar padrões habituais de pensamento
·         Ter maior clareza sobre nós mesmos, dos outros e do nosso meio
·         Ter uma melhor compreensão das situações complexas
·         Escolher a resposta mais eficaz e soluções mais apropriadas

Quem deve participar:
·         Indivíduos e grupos que estão a passar por altos níveis de stress
·         Indivíduos que querem ser mais eficazes na sua comunicação interpessoal e reduzir conflitos interpessoais
·         Indivíduos que desejam maior clareza e criatividade

terça-feira, 11 de maio de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Prevenção do divórcio: e viveram (im)perfeitamente felizes para sempre

Autora: Inês Alexandre


Os números não param de subir: hoje em dia, mais de 1 em cada 4 casamentos termina em divórcio, e o aumento das taxas de divórcio tem sido, nos últimos anos, estrondoso. O que fará com que o divórcio, relatado como um dos acontecimentos mais negativamente marcantes na vida de alguém, seja cada vez mais a saída? Poderemos actuar no sentido de prevenir o crescimento destas taxas?


Muitos casais chegam à terapia numa fase já de ruptura, e nessas situações é por vezes difícil trabalharmos em conjunto. E isso nota-se, não tanto pela gravidade dos problemas, mas sobretudo pela dificuldade que muitas vezes os dois já têm em entrar em contacto emocional um com outro. Quando lhes pedimos para falarem sobre os aspectos positivos do outro, muitas pessoas surpreendem-se com a dificuldade. Felizmente, o contrário acontece mais vezes, surgindo a surpresa pelo facto de descobrirem que afinal algo que os uniu se mantém – que o outro os reconhece, os admira, os compreende. Por vezes, em poucos minutos, há um reencontro. É fundamental que o casal recrie esses encontros. Amar é uma arte: exige inspiração, mas também esforço. Há que cuidar da relação desde o início, e não apenas quando sentimos que ela chegou a um limite. Cuidar de uma relação é como cuidar da nossa saúde: não vamos começar a fazer exercício físico quando estamos a ter um enfarte.

Estes são alguns dos principais sinais de que a relação pode estar a precisar de ser melhorada: discussões frequentes; sentimento de ser incompreendido pelo outro; estranheza em relação ao outro (“parece que já não o conheço”); falta de objectivos e de projectos comuns; dificuldade em elogiar o outro; sentimentos de zanga e tristeza constantes; afastamento emocional; problemas íntimos antes não existentes; críticas mútuas.

Apesar dos números, há indícios de que algo de positivo começa a acontecer. Cada vez mais a terapia de casal é uma escolha (de mulheres e de homens), e há um esforço visível de muitos para melhorar a sua relação conjugal. E cada vez mais há a consciência de que procurar ajuda é um sinal de inteligência, e não de fraqueza. A flexibilidade, a capacidade de reinventar, é a característica chave para uma vida a dois em pleno. Isto não significa que não haja discussões, conflitos, dificuldades, divergências, amuos, virares de costas, crises, tristeza, zanga, que fazem parte de um crescimento a dois e adulto, sem a expectativa idealizada do outro e da relação (“nós adorávamo-nos, como é que não é tudo perfeito?!”). Quer antes dizer que as dificuldades e os problemas são vividos e ultrapassados, graças não só a um maior entendimento sobre o que se passa – sobre mim, sobre o outro, sobre a relação – mas também à capacidade de apreciar, viver e criar os pesos para colocar no outro lado da balança – cultivar os momentos positivos a dois, a admiração (por nós e pelo outro), o respeito (por nós e pelo outro).

Na Oficina de Psicologia desenvolvemos o Amores (im)perfeitos, um programa de optimização conjugal em que são abordadas as principais temáticas do casal: as principais fases de crise (e de oportunidade), as diferenças, a comunicação, os conflitos, as discussões, a intimidade, os projectos. Neste espaço apostamos nos recursos de cada casal, e também na partilha em grupo, que comprovadamente traz grandes benefícios. Até porque o fechamento do casal em si mesmo, o isolamento, potencia as emoções negativas e faz com que as pessoas sintam que apenas elas têm este tipo de problemas. A descoberta da existência do mesmo tipo de problemas noutros casais revela-se muito importante. E apostamos também na prevenção: não é necessário ou proveitoso deixar arrastar situações difíceis e levá-las ao limite. Vamos aproveitar quando ainda há elos de ligação entre as pessoas. Para que possamos, realmente, ir vivendo (im)perfeitamente felizes. Para sempre.

domingo, 18 de abril de 2010

Ciúme

Autora: Catarina Mexia

Todos nós conhecemos ou vivemos histórias de ciúme pois não dizem respeito apenas às relações amorosas. O ciúme pode estar presente em qualquer tipo de relacionamento e a minha experiência como terapeuta prova isso mesmo.


Pedro, um exemplo comum, tem actualmente 33 anos e assume que lidou com o ciúme em quase todos os relacionamentos que teve. Para ele, o ciúme e uma experiência que remonta aos seus primeiros anos de escolaridade. Não só se mostra ciumento com a sua companheira actual, como com os seus amigos e colegas de trabalho. Faz o melhor que pode para esconder esta sua faceta, mas quando o ciúme ataca dá-se conta de que faz comentários e tem atitudes que invariavelmente vem a lamentar depois. Por vezes opta por se retirar e torna-se distante, como forma de tentar manter estes sentimentos extremamente dolorosos para si mesmo. O Pedro, quando me procura, sente-se profundamente frustrado, sem saber como proceder.

Ana e Vasco, outros exemplos, estão casados depois de cada um ter passado por divórcios relativamente calmos, que lhes permitiram a manutenção de um bom relacionamento com os ex-cônjuges. Vasco não teve filhos, mas Ana tem dois rapazes do casamento anterior. As queixas do casal relacionam-se com a incapacidade de Ana para lidar com o que considera serem os ciúmes do Vasco em relação aos dois miúdos. Nada tem a ver com o pai das crianças, mas com o tempo que a Ana dedica aos filhos. Ana começa a ver como única saída um novo divórcio e por isso consegue que Vasco valorize a questão e venham juntos à consulta.

Muitas vezes a procura de ajuda só acontece quando o parceiro se cansa da falta de confiança, dos infindáveis interrogatórios, dos gritos, das constantes acusações injustificadas e, por vezes, de uma intensa violência, psicológica ou mesmo física.

A iminência ou a concretização da perda faz muitas vezes com que o ciumento descubra da forma mais dolorosa que afinal nunca controlou nada, não evitou a perda, nem se mostrou insubstituível.

Onde começa o ciúme? Enquanto crianças todos começamos por acreditar que somos o centro do universo e que a nossa mãe é exclusivamente nossa. Podemos dizer que o primeiro ciúme que sentimos se refere ao momento em que tomamos consciência da existência do nosso pai, que passa a ter existência real e que, de alguma forma, nos "rouba" a nossa mãe.

Um outro momento importante que nos pode levar a sentir ciúmes tem a ver com o nascimento de um irmão mais novo. O amor e o colo, o carinho e atenção que até aí eram só nossos passam para este irmão mais novo e, muitas vezes, de uma forma muito intensa. Enquanto crescemos, quanto mais nos sentirmos seguros do amor dos nossos pais ou das figuras que os substituem e são igualmente importantes, mais nos sentimos imunes ao medo de uma futura perda, ainda que nem mesmo os pais mais atentos e dedicados nos possam proteger. Ou seja, é necessário ao nosso crescimento sabermos lidar com o sentimento de perda, não permitindo que a ausência do outro nos faça desaparecer ou sentir desvalorizados enquanto pessoas.

Não levamos muito tempo a perceber que o ciúme é um sentimento negativo mas, tal como as outras emoções que não podemos simplesmente eliminar, aprendemos a introjectar esse sentimento nefasto e a virá-lo contra nós próprios ou a virá-lo contra o objecto dos nossos sentimentos.

No primeiro caso o ciúme pode converter-se em auto-repulsa levando-nos a acreditar que não somos merecedores de amor ou, até, incapazes de obter o que desejamos da vida e, como tal, desistimos de tentar transformando-nos numa espécie de vítimas. Já o ciúme exteriorizado degenera com frequência em raiva. Interiorizamos os sentimentos maus e projectamo-los sobre a pessoa que julgamos ter roubado o nosso amor. E a raiva ciumenta pode destruir uma amizade, dar cabo de um amor e, em casos extremos, matar uma pessoa.

Afinal o que é o ciúme? O ciúme surge como um mecanismo inconsciente que procura controlar e reter o outro só para si. Tudo o que não se encontra dentro da relação simbiótica passa a representar uma ameaça para o parceiro que não suporta a ideia de ser abandonado.

No entanto, o ciúme é a expressão de uma emoção e, como tal, é normal senti-lo.

A habilidade reside em não nos deixarmos dominar por ele, tentando, pelo contrário, dominá-lo, controlando os comportamentos a ele associados para que não cause danos irreversíveis à pessoa e/ou ao relacionamento.

Está ligado a influências culturais, sociais e à história de vida de cada um.

O sentimento maior que motiva o ciúme é a desconfiança. Mas existem outras características de personalidade que estão presentes de forma mais ou menos vincada no ciumento. A necessidade de posse é um dos traços fortes do ciúme. Quem ama é capaz de dar espaço ao outro, de respeitar a sua individualidade não se sentindo ameaçado pela presença de terceiros. O medo de perder o ser amado para outra pessoa também pode ser devastador. Muitas vezes uma baixa auto-estima e falta de aceitação tal como somos, faz com que a pessoa se sinta diminuída e em constante perigo de ser trocada por outra mais interessante.

O egoísmo é uma das marcas mais gritantes de um ciúme doentio. Por oposição ao amor altruísta, estas pessoas são capazes de expressar sentimentos como "prefiro ver a minha mulher morta do que vê-la a viver com outro!". Na realidade quando o ciúme nos toma nas suas garras, parece que o coração não nos cabe no peito, a respiração torna-se dolorosa en-quanto lutamos para trazer um pouco de ar para os pulmões e as nossas emoções parecem oscilar entre uma raiva incontrolada e o pânico total. Este desequilíbrio no sistema nervoso faz aumentar o nível de adrenalina, interfere na dinâmica dos neurotransmissores e faz parecer que tudo desaba dentro do nosso corpo, rompendo-se o equilíbrio do bem-estar.

O ciúme hoje. Um dado interessante é o de que o ciúme parece estar cada vez mais presente nos relacionamentos actuais. No entanto não é uma doença contagiosa que se possa pegar através do contacto com os outros.

O estatuto do homem e da mulher tem vindo a alterar-se de forma muito intensa nas últimas décadas. Existem, especialmente para as mulheres, oportunidades de sucesso e realização profissional baseadas no seu próprio mérito. Ou seja, quer para a mulher como para o homem aumentaram as possibilidades de escolha. Hoje em dia as mulheres podem escolher ter uma relação, que condições esta deve ter para durar, se têm ou não filhos ou se investirem mais na carreira.

Mas se, por um lado, estas conquistas trouxeram mais-valias na relação homem/mulher, por outro também potenciaram a insegurança e o medo de perder o outro.

Actualmente são as pessoas que afirmam não conseguir lidar com a perda que mais facilmente se mostram ciumentas. Por oposição, aqueles que aceitam que existe sempre a possibilidade de perdermos aquilo que consideramos precioso e que sabem que tudo é efémero, que tendem a tirar melhor partido daquilo que vivem no presente: valorizam a relação, minoram as dificuldades, trabalham em equipa e aprendem com os outros.